FIIs de Tijolo em 2026: Chegou a Hora de Comprar?

Fundos Imobiliários

MERCADOFINANÇAS

Edson Torres

8/6/20267 min read

FIIs de Tijolo em 2026: Chegou a Hora de Comprar?

Tempo de leitura: 10 minutos
Nível: Iniciante a Intermediário
Categoria: Fundos Imobiliários | Cenário Econômico

Se você acompanha o mercado de Fundos Imobiliários, já deve ter ouvido muito sobre os FIIs de papel nos últimos anos — e com razão: com a Selic nas alturas, os fundos de recebíveis imobiliários brilharam enquanto os FIIs de tijolo sofriam com a pressão dos juros altos.

Mas o cenário está mudando. Com o início do ciclo de queda da Selic, cotas negociadas com desconto histórico e fundamentos operacionais cada vez mais sólidos, gestoras renomadas e analistas do mercado estão apontando 2026 como um momento estratégico para os FIIs de tijolo.

A pergunta que todo investidor está se fazendo é: chegou a hora de comprar?

Neste artigo, vamos analisar o momento atual dos FIIs de tijolo, os segmentos com mais potencial, os riscos do cenário e como posicionarse de forma inteligente.

O que são FIIs de Tijolo?

Antes de mergulhar na análise, vale relembrar o básico.

FIIs de tijolo são fundos imobiliários que investem diretamente em imóveis físicos — como shoppings, galpões logísticos, lajes corporativas (escritórios), hospitais, agências bancárias e imóveis residenciais. A receita do fundo vem dos aluguéis pagos pelos inquilinos, que são distribuídos mensalmente aos cotistas.

Diferente dos FIIs de papel (que investem em títulos financeiros como CRIs e LCIs), os fundos de tijolo têm seu valor ligado ao mercado imobiliário físico — o que os torna mais sensíveis a ciclos de juros e à economia real.

Por que os FIIs de Tijolo Sofreram nos Últimos Anos?

Para entender a oportunidade atual, é preciso entender o que aconteceu.

Entre 2021 e 2025, o Brasil viveu um dos ciclos de juros mais intensos das últimas décadas, com a Selic chegando a 15% ao ano. Esse ambiente criou dois problemas para os FIIs de tijolo:

1. Concorrência com a renda fixa Com o Tesouro pagando 14% ao ano com risco praticamente zero, os investidores migraram para a renda fixa, reduzindo a demanda pelas cotas dos FIIs — o que derrubou os preços.

2. Custo de crédito mais caro Juros altos encarecem financiamentos imobiliários, dificultam novos empreendimentos e pressionam alguns inquilinos — o que aumenta a vacância em certos segmentos.

O resultado foi que muitos FIIs de tijolo passaram anos negociando com P/VP abaixo de 1 — ou seja, suas cotas valiam menos do que o patrimônio real dos imóveis que possuíam.

O Cenário Atual: Por que 2026 Pode Ser Diferente?

📉 Selic em Queda — O Principal Catalisador

O Banco Central iniciou um ciclo de cortes na Selic, que partiu de 15% e deve encerrar 2026 entre 13% e 13,25% ao ano. Para os FIIs de tijolo, isso é o principal catalisador de recuperação.

Quando os juros caem, dois movimentos acontecem simultaneamente:

  • A renda fixa paga menos, tornando os dividendos dos FIIs mais atrativos por comparação

  • As taxas de desconto dos imóveis recuam, elevando o valor patrimonial dos fundos

🏢 Cotas com Desconto Histórico

Apesar da leve recuperação em 2025 — quando o IFIX subiu mais de 20% —, muitos FIIs de tijolo ainda estão sendo negociados abaixo do valor patrimonial. Segundo gestores da Kinea, é possível comprar imóveis prontos, gerando renda e com baixa vacância, por preços inferiores ao custo de construir imóveis novos.

Como afirmou Carlos Martins, responsável por FIIs de tijolo na Kinea: os preços descontados, a isenção de IR mantida e o ambiente de juros em queda criam uma assimetria difícil de ignorar para investidores de longo prazo.

📦 Fundamentos Operacionais Mais Fortes

O mercado imobiliário físico está mais saudável do que os preços das cotas sugerem:

  • Logística: o setor vive um momento de ouro, com a menor vacância histórica da categoria. A demanda atual é maior do que no período pré-pandemia, permitindo revisões de aluguel para cima

  • Escritórios premium: com a volta gradual ao trabalho presencial, a vacância em regiões corporativas de alto padrão está em queda

  • Shoppings: o consumo das famílias segue aquecido, beneficiando os shoppings centers de qualidade

Desempenho em 2026: O que os Números Mostram?

O IFIX — índice que acompanha o desempenho dos FIIs na bolsa — acumulou alta de 1,46% até junho de 2026, um desempenho mais moderado do que o esperado no início do ano.

Dentro dessa média, há uma divisão clara:

  • FIIs de papel: lideraram com valorização de 3,90% no período

  • FIIs de tijolo: registraram queda de 0,78% no mesmo período

Essa diferença reflete exatamente o que explicamos: com os juros caindo mais devagar do que o mercado esperava — por conta do cenário externo complicado e da pressão inflacionária —, os FIIs de tijolo continuaram sob pressão no primeiro semestre.

Mas isso é um problema ou uma oportunidade?

Para quem pensa no longo prazo, esse é exatamente o tipo de situação que cria pontos de entrada atrativos. Como disse um gestor da Kinea: "no crédito, você precisa estar no barco antes do vento virar."

Os Segmentos com Mais Potencial em 2026

Nem todos os FIIs de tijolo são iguais. Veja quais segmentos têm os melhores fundamentos atualmente:

🏭 Logística — O Destaque do Momento

O setor de logística é unanimidade entre os gestores para 2026. Com a menor vacância histórica da categoria e demanda acima dos níveis pré-pandemia, os galpões logísticos estão em posição privilegiada para revisões de aluguel e crescimento dos dividendos.

Por que está tão forte:

  • Expansão do e-commerce demanda mais espaço de armazenagem

  • Novos empreendimentos demoram anos para ficarem prontos

  • Vacância próxima de zero nos principais mercados

🛍️ Shoppings Centers — Consumo Aquecido Ajuda

Com o desemprego em mínimas históricas e os programas de transferência de renda do governo sustentando o consumo das famílias, os shoppings de qualidade seguem com boa performance operacional.

Pontos de atenção:

  • Prefira shoppings dominantes em suas regiões

  • Evite shoppings de menor padrão, mais sensíveis à renda

🏢 Lajes Corporativas — Recuperação Gradual, com Seletividade

O retorno ao trabalho presencial está melhorando a vacância nos escritórios de alto padrão em regiões prime, como a Faria Lima e a Berrini em São Paulo. Mas a recuperação é desigual.

A regra aqui é seletividade:

  • Escritórios triple A em localizações premium: boa oportunidade

  • Escritórios em localizações secundárias: ainda com desafios de vacância

⚠️ Segmentos que Ainda Enfrentam Dificuldades

  • Varejo de rua: mais sensível ao ciclo econômico e com menor liquidez

  • Escritórios em locais secundários: vacância elevada e dificuldade de repasse de aluguel

O Argumento dos Especialistas: Por Que Comprar Agora?

O BTG Pactual, em relatório recente, afirmou que a grande estrela para 2026 segue sendo os FIIs de tijolo — especialmente porque diversos segmentos ainda negociam abaixo do valor patrimonial, apesar da melhora operacional.

Os analistas do banco destacam que as incertezas do ano eleitoral podem abrir janelas de oportunidade para a compra de ativos a preços atrativos — mas com um alerta importante: é preciso ser criterioso, priorizando fundos maiores, com boa estrutura de capital e ativos de qualidade.

Os Riscos que Você Precisa Conhecer

Nenhum investimento é sem risco. Antes de comprar FIIs de tijolo, esteja ciente dos principais:

⚠️ Queda dos juros mais lenta que o esperado

O cenário externo — com conflitos no Oriente Médio e pressão inflacionária global — pode atrasar o ciclo de cortes da Selic. Se os juros caírem mais devagar, os FIIs de tijolo continuarão pressionados por mais tempo.

⚠️ Volatilidade eleitoral

O calendário eleitoral no segundo semestre de 2026 pode manter os juros longos elevados e aumentar a volatilidade das cotas, independentemente dos fundamentos dos fundos.

⚠️ Risco de gestão

A qualidade da gestora faz enorme diferença no resultado dos FIIs de tijolo. Prefira gestoras com histórico consolidado e portfólios diversificados.

⚠️ Seletividade é fundamental

Não são todos os FIIs de tijolo que vão se recuperar. Fundos com imóveis em localizações ruins, alta vacância ou gestão fraca podem continuar sofrendo.

Como Posicionar-se: Estratégia Prática

Para quem ainda não tem FIIs de tijolo:

  • Comece com uma posição pequena (10% a 15% do patrimônio)

  • Priorize os segmentos de logística e shoppings de qualidade

  • Escolha fundos com P/VP abaixo de 1 e dividendos consistentes

  • Aumente a posição gradualmente conforme o ciclo de cortes da Selic avançar

Para quem já tem FIIs de tijolo na carteira:

  • Aproveite as quedas para rebalancear e aumentar posições em fundos de qualidade

  • Revise a qualidade dos imóveis e da gestora de cada fundo

  • Mantenha a perspectiva de longo prazo — não venda por pânico em momentos de volatilidade

Quanto alocar?

Perfil FIIs de tijolo FIIs de papel Renda fixa Conservador 10% 15% 75% Moderado 20% 20% 60% Arrojado 35% 15% 50%

Checklist: Antes de Comprar um FII de Tijolo em 2026

  • [ ] O fundo está com P/VP abaixo de 1? (desconto em relação ao valor patrimonial)

  • [ ] A vacância está baixa e em queda?

  • [ ] Os dividendos são consistentes nos últimos 24 meses?

  • [ ] O segmento tem bons fundamentos (logística, shoppings premium)?

  • [ ] A gestora tem histórico sólido e transparência?

  • [ ] O volume diário negociado é suficiente para garantir liquidez?

Conclusão

Os FIIs de tijolo vivem um momento paradoxal em 2026: os fundamentos operacionais melhoraram significativamente — vacância em queda, aluguéis subindo, demanda aquecida — mas as cotas ainda refletem o pessimismo dos anos de juros altos.

Esse descompasso entre os fundamentos e os preços é exatamente o que cria oportunidades. Para quem tem horizonte de longo prazo e disposição para atravessar a volatilidade do período eleitoral, os FIIs de tijolo podem ser um dos investimentos com melhor relação risco-retorno do momento.

A janela de compra pode não durar para sempre. Quando os juros caírem de forma mais consistente e o mercado reconhecer a melhora dos fundamentos, os preços tenderão a se ajustar — e quem entrou antes colherá os frutos tanto nos dividendos mensais quanto na valorização das cotas.

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